Texas Hold'em Cash Parte II: estratégia no flop


O flop é uma das rodadas decisivas do pôquer em todas as suas categorias e variedades. É o momento em que as três primeiras cartas comunitárias são colocadas no centro da mesa, dando início a uma nova rodada de apostas.
Para os jogadores, é um momento decisivo, já que é a primeira oportunidade que eles têm de verificar quais são as possibilidades da mão. Apesar de haver mãos que podem melhorar no turn e no river, em geral, se a coisa não está boa no flop, o jogador desiste antes de continuar perdendo mais dinheiro.
O que é o flop

Uma partida de pôquer é composta por quatro partes: o preflop, o flop, o turn e o river. O preflop é a rodada inicial de apostas, que acontece antes de as primeiras cartas comunitárias serem reveladas. A primeira rodada de apostas, o preflop, normalmente é feita às cegas. É uma rodada crítica, mas, na prática, considera-se que nenhuma decisão será tomada até que se vejam as primeiras cartas comunitárias (o flop), que é a rodada que nos interessa aqui.
Por isso dizemos que o flop é o momento-chave para definir o desenvolvimento da mão. Quando as cartas comunitárias ficam à mostra, chega a hora de tomar uma decisão: sair da mão ou apostar. Uma decisão que você terá de tomar com base nas suas chances de formar uma boa mão com as primeiras cartas comunitárias, mas também lendo o jogo dos seus adversários.
O flop tem suas próprias estratégias e, embora você provavelmente já tenha algumas noções para se virar nesta fase do jogo, na verdade há aspectos que você deve levar em conta se quiser "subir de nível". Vamos a isso.
Check no flop: é recomendável?

Para falar do check no flop, precisamos entender como a estratégia foi mudando conforme o pôquer foi avançando. Até não muito tempo atrás, as apostas do preflop eram independentes das do flop, ou seja, só apostavam os jogadores que tinham mão; os que não tinham, não apostavam.
Mas então surgiram as c-bets, as apostas de continuação, como uma espécie de blefe que permitia aparentar que se tem uma boa mão ou, pelo menos, uma mão boa o suficiente para aumentar o pote no preflop. Esse foi o germe de uma mudança substancial na estratégia de preflop e flop, já que agora se considera que as apostas de continuação são a norma, e não a exceção. Ou seja, temos de contar com o fato de que quem tem mão vai apostar, mas quem não tem também. E isso influencia a maneira de entender a estratégia do flop.
No entanto, embora isso faça sentido, é importante ter em mente que no pôquer straightforward ou ABC, as apostas de continuação não precisam ser obrigatórias. No pôquer ABC, a premissa é a do pôquer de antigamente: se tem mão, aposta; se não tem, não aposta.
E é que as apostas de continuação não fazem sentido se não ocorrerem como parte de uma estratégia geral muito mais ampla e sofisticada. Ou seja, se você opta por fingir no preflop que tem uma boa mão, é para fazer algo importante depois.
Com tudo isso, queremos dizer que fazer check no flop é algo totalmente válido. Parece que uma c-bet é o único caminho para continuar com o nosso jogo, mas, na verdade, se não enquadrarmos essa aposta de continuação dentro de um quadro mais amplo, essa estratégia não faz sentido.
E nunca custa lembrar que selecionar quais mãos jogamos é crucial. Criar um cenário favorável ao nosso jogo é essencial; se não formos seletivos com as mãos que disputamos, acabaremos comprometendo o nosso jogo e saindo prejudicados. Uma boa seleção de mãos pode nos fazer ganhar a mão no showdown, mesmo sem termos conseguido conectar nenhuma jogada, então escolha bem quais mãos você joga.
Portanto, respondendo diretamente à pergunta que colocamos: fazer check no flop é uma opção recomendável se você não tem uma boa mão no preflop, mas não quer descartá-la. Também é uma opção se você não quer se arriscar com um blefe no preflop (por meio de uma c-bet) quando não tem nada de especial.
Check com posição (IP) e check sem posição (OOP)

Vamos ver como podemos abordar o check no flop por meio de dois cenários: um com posição e outro sem posição.
Exemplo de check IP
Modalidade: NLO 9 jogadores.
Posição: BUTTON.
Stacks:
- UTG: 15,75.
- UTG+1: 3,76.
- MP1: 4,80.
- MP2: 5,40.
- MP3: 2,33.
- CO: 4,93.
- Hero – BTN: 5,32.
- SB: 4,95.
- BB: 5.
No pré-flop temos A♣ K♠. No pré-flop a aposta é de 0,07. UTG dá call em 0,05, UTG+1, MP1, MP2, MP3 e CO dão fold, o Hero aumenta para 0,25, os blinds passam e UTG dá call em 0,20. No flop, com uma aposta de 0,57 e dois jogadores na mão, saem 3♥ 2♠ J♠. Então, UTG dá check.
Faz algum sentido, nesta situação, apostar no flop? É verdade que dá para ver um projeto de flush ou de sequência, mas pense que, se apostarmos, estaremos engordando o pote à toa, porque não temos uma mão formada. E isso nunca é bom.
Em vez de apostar e aumentar o pote, o que nos convém é manter o pote pequeno e tentar conhecer as cinco cartas. Às vezes nos deixamos levar tanto pelos projetos que não pensamos que podemos nos meter numa encrenca por não termos uma mão feita.
Aqui você também precisa levar em conta que os suited connectors podem nos ajudar a variar nosso jogo. Repetimos: variar o jogo. Pressupõe-se que temos jogo. Se não for assim, esqueça as cartas suited.
Exemplo de check OOP
Jogar sem posição pode nos colocar em desvantagem se aumentarmos o pote no pré-flop e estivermos OOP. O que devemos fazer nesses casos é compensar essa desvantagem com cartas fortes.
Uma coisa importante que você precisa assimilar para jogar bem no flop: se você é o raiser no pré-flop e há jogadores atrás de você, apostar não é obrigatório, então não se enrosque. Aliás, nessa situação fazer check é aconselhável, porque ao dar raise você já mostrou que tem uma jogada forte. Essa força não mudou do pré-flop para o flop, então apostar novamente seria redundante.
Quem paga o seu raise provavelmente tem cartas da mesma força que as suas, se não mais fortes. Fazer check pode proteger você e não é percebido como uma jogada de fraqueza.
Calldowns: o que são?

Ao falar de checks fora de posição, um recurso que precisamos abordar é o calldown. Entendemos por calldown o ato de ir pagando repetidamente as apostas do vilão até chegar ao river, o que nos permite extrair mais valor da nossa mão.
Se acontecer de aumentarmos o pote no pré-flop e o vilão do botão pagar o raise (dá cold call), e chegarmos ao flop e recebermos um raise, podemos dar re-raise e pode acontecer de descobrirmos o blefe do vilão e forçá-lo a desistir, ou de batermos de frente com uma trinca. Se isso acontecer, pagar é uma opção para ver o river gastando pouco; se for o caso de estarmos diante de um blefe, devemos deixá-lo seguir com sua farsa, e nunca continuar aumentando a aposta dele.
Ou seja, se o vilão é agressivo e detectamos que ele tende a blefar, é melhor dar call até o river e esquecer de dar re-raise nas apostas dele.
Os calldowns são uma boa alternativa para enfrentar um vilão fora de posição e isolados. Ir de frente com as apostas seria suicídio, então vamos decidir ver aos poucos quais são as apostas do vilão.
O jogo fora de posição também pode acontecer se entrarmos num confronto heads up. Nesse caso, é melhor usar a estratégia do check-raise, da qual já falamos em outras ocasiões, para continuar aumentando o pote.
E por que check-raise sim e calldown não? Porque com o calldown nos limitamos a ver a aposta do rival, mas com um check-raise nós a aumentamos. Se mantivermos o vilão na mão, podemos tirar proveito das apostas dele. Deixá-lo apostar e forçar um aumento é melhor para retê-lo, já que, por ter apostado antes, ele vai pensar duas vezes antes de sair.
Já se no flop apostarmos de frente e o vilão não tiver nada, ele não vai hesitar em largar a mão. É assim nos limites baixos: uma vez que se colocou dinheiro no pote, tende-se quase sempre a permanecer na mão o máximo possível para tentar evitar perder o dinheiro, mesmo sem ter nada. Uma forma de queimar os últimos cartuchos. Use isso a seu favor.
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